Estes dias experimentei novas maneiras de ver o mundo, de ver o que me rodeia, aprendi também a interagir com o que me envolve de uma forma não tão igual. Andei pela cidade em plena noite a olhar para tudo, tentei ver cada detalhe, cada particularidade das coisas, e foi isto que me levou a reparar que em comum todos temos sombras, tanto a mulher que vai num passo apressado por causa do medo que lhe assalta o pensamento, tal como o poste que brilha aquela luz amarela para nos indicar o caminho, tanto aquela imagem negra que a luz espelha de mim no chão, sim reparei que também tenho sombra. Dei por mim a pensar o que significaria o negro da sombra, porque nao espelha ela as cores da vida? Porque espelha ela o negro? Nem o MP3 no ouvido me fazia esquecer esta curiosidade, pensei para mim, todos nós temos o nosso lado oculto, todos, mas nós podemos sentir, decidir, escolher, os objectos inanimados não, então porquê a sombra? Rejeitei logo a ideia de que a sombra poder ser uma forma de vermos que todos temos um lado negro, um lado que fica escondido dentro de nós, e que raramente sai cá para fora, mas ao olhar para um poste com a lampada fundida, reparei que afinal estava enganado, afinal o negro das sombras existe para nos lembrar-mos que somos precisos para algo no nosso lado luminoso (por assim dizer), então imaginei que se todos os postes deixassem sobressair o seu lado negro, eu não conseguiria ver o caminho para casa. Este pensamento levou-me para outro nivel, será que por sabermos destinguir o bem do mal, ocultamos o nosso lado escuro, ou será que ele se ocultou porque quis e quando quer sai deixando-nos sem controlo, metendo ao vento todas as nossas fragilidades, medos e receios. Esta é uma das questões que não sei responder, que mete todas as minhas teorias, todos os meus pensamentos em alvoroço, acredito no bem, acredito que todos somos bons, e ninguém é melhor que ninguem, e que para vivermos bem temos de conviver com o lado negro, temos de aprender a ve-lo tal como é, entende-lo e doma-lo, mas nunca o extinguir, a experiencia faz-nos evoluir.